
A ABLV congrega atualmente 30 empresas, que juntas respondem por cerca de 80% da produção de Leite Longa Vida no país, estimada em 5,3 bilhões de litros por ano. Hoje, o Leite Longa Vida está presente em 85% dos lares brasileiros e representa 76% do volume de leite fluído consumido. Com grande representatividade para a cadeia láctea, equivale a 20% do destino do leite captado no Brasil e deve movimentar mais de R$ 9 bilhões este ano.
A Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida, comemorando seus 15 anos de fundação defendeu a proposta de constituição de um fundo de propaganda para valorizar e incentivar o consumo de leite em geral, com ações de longo prazo.
Em workshop recente em São Paulo, a entidade reuniu empresários e dirigentes, traçando um diagnóstico da imagem do leite na mídia e apontou a necessidade de reunir toda a cadeia produtiva para defender e divulgar os benefícios do consumo regular de leite.
No evento, o economista Eduardo Gianetti da Fonseca fez uma projeção para o setor, estimando que ele tem condições de crescer 5% ao ano. “Eu vejo dois desafios estratégicos. O primeiro deles é questão da produtividade”, afirmou o professor. Dados apresentados pelo economista mostram um crescimento de apenas 13% na produção de leite por cabeça, na década de 1997-2007.
O segundo desafio lançado por Gianetti é o da sustentabilidade e de diminuição do impacto ambiental provocado pelo rebanho bovino, hoje estimado em 200 milhões de cabeças no Brasil. Segundo dados da FAO – órgão da ONU para Agricultura e Alimentação – a produção mundial passará de 580 milhões de toneladas em 2001 para 1 bilhão de toneladas em 2050.
Cláudio Teixeira, presidente da ABLV e dirigente da Italac estima que o setor longa vida deve fechar 2009 com faturamento da ordem de R$ 9 bilhões, com crescimento de 4%. “É um desempenho muito bom, apesar de menor que o registrado em 2008, quando as vendas aumentaram 5,5%”.
Nos últimos anos, o leite longa vida tem sido o vetor de crescimento do leite de consumo no Brasil e tem apresentado desempenho superior ao do mercado total. Presente em 85% dos lares brasileiros, o leite UHT representa 76% do leite fluido de consumo e 47% do total de leite consumido no Brasil.
O Leite Longa Vida iniciou sua presença no mercado brasileiro em 1972. Até início dos anos 90, o produto enfrentou fortes obstáculos, entre eles uma carga tributária altamente discriminatória, além do desconhecimento do processo Ultra High Temperature (UHT). Nessa época, apesar de já estar há 18 anos à disposição do consumidor brasileiro, o Leite Longa Vida ainda ocupava modestíssimo lugar no mercado de consumo do produto.
Além da pesada carga tributária, a desinformação e os mitos disseminados sobre o processo UHT acabaram por desenvolver uma resistência junto aos consumidores, que criavam a imagem de um produto que resistia ao tempo devido ao uso de conservantes.
Foi nesse cenário que, em setembro de 1994, por iniciativa da Parmalat, Elegê, Leite Paulista, Itambé, Batavo e Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL-SP), foi constituída a ABLV – Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida. Pioneiras, essas empresas contaram e contam com o apoio da Tetra Pak.
Ao fim de 1994, ano de sua criação, e baseada em permissão do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) para a inclusão de novos produtos na cesta básica dos estados, a ABLV conseguiu a redução do ICMS nos mercados mais importantes para a categoria, uma conquista realizada por meio de um incessante trabalho junto aos governos estaduais.
Outra grande batalha travada com sucesso pela ABLV, tendo como aliados a G-100 (Associação Brasileira de Pequenas e Médias Cooperativas e Empresas de Laticínios), a ABIQ (Associação Brasileira das Indústrias de Queijo) e o CONIL (Conselho Nacional da Indústria de Laticínios), resultou na isenção dos impostos PIS e COFINS para os principais segmentos do mercado de lácteos.
Os resultados dessa vitória para o setor de Longa Vida foram marcantes. Em apenas cinco anos, o volume anual de vendas do chamado “leite de caixinha” mais que triplicou, continuando sua espetacular escalada pelos anos seguintes. Por sua facilidade de distribuição, armazenamento e praticidade, bem como pela crescente credibilidade junto aos consumidores, o Leite Longa Vida tornou-se o vetor de crescimento do leite de consumo no Brasil.
O crescimento da categoria não passou impune. Logo surgiram inúmeras e descabidas críticas ao produto, as quais, repetidas à exaustão, tentavam desqualificá-lo do ponto de vista nutricional, atribuindo-lhe riscos e perdas ao consumidor. A ABLV assumiu, então, um enorme desafio, contestando cada artigo escrito, cada notícia publicada ou entrevista equivocada.
Em maio de 2000 foi criado o Serviço de Atendimento ao Consumidor, estruturado também para atender às demandas das universidades, autoridades e empresas associadas.
Um dos mais importantes trabalhos da ABLV nessa área, foi seu enérgico posicionamento junto ao Ministério da Saúde, quando da criação do “Guia alimentar para a população brasileira” garantindo ao leite a relevância necessária.
Junto com essas mudanças, vieram novos objetivos e novos desafios. A ampliação do consumo, o ganho de imagem e o aumento da percepção de valor para a categoria foram as bases para a criação do “Fundo de Propaganda” possível graças a adesão das empresas e cooperativas detentoras das marcas Ibituruna, Cemil, Piracanjuba, Leitbom, Batavo, Parmalat, Jussara, Colaso, Selita, Italac, Sarita, Líder, Nilza, Long, Mucuri, Milenio e Total. Além delas, entra em cena a Tetra Pak, respondendo por 50% dos investimentos previstos. Com a criação do fundo, agora retomado, a ABLV conseguiu realizar a primeira grande campanha de comunicação do leite longa vida.
Em 2008, na defesa da qualidade do produto, a ABLV criou o “Programa de Monitoramento da Qualidade do Leite Longa Vida”. O programa, regido por regulamento previsto em seu estatuto e amplamente difundido entre seus associados e demais fabricantes do setor, realiza o monitoramento trimestral de todas as marcas comercializadas no País, por meio de análises físico-químicas em laboratório credenciado e auditado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) bem como pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Os laudos com as análises e numeração em série, são periodicamente enviados ao MAPA, que, desta forma, conta com uma fonte a mais de informações para seu esforço permanente de fiscalização e orientação das indústrias.
Os pediatras têm cada dia mais o papel de formadores de opinião e influenciadores nos hábitos de consumo. Por esse significado, é importante que tenham segurança ao avalizar o consumo do Leite Longa Vida para crianças a partir de seu primeiro ano de vida, bem como por toda sua família.
Nesse sentido, a ABLV expande suas atividades com ações junto aos profissionais de saúde. Entre 8 e 12 de outubro de 2009, retoma a comunicação com a classe pediátrica como expositora e patrocinadora do maior evento dessa especialidade médica, o 34o Congresso Brasileiro de Pediatria em Brasília, onde estarão presentes de 4 a 5 mil pediatras de todo o Brasil.
Trata-se de um grande investimento de marketing. Inclui stand em área nobre de exposição, com dimensões equiparadas aos maiores laboratórios farmacêuticos e indústrias de alimentos para lactentes e crianças.
Lá, o pediatra receberá por meio de filmes, folhetos e assistência de nutricionistas especialmente treinadas, todas as informações sobre o processo UHT, com ênfase para a preservação do valor nutritivo do leite, a ausência de conservantes bem como nas qualidades e vantagens do Leite Longa Vida.
A atuação consistente e efetiva ao longo desses 15 anos, fez da ABLV uma das mais importantes e representativas associações da cadeia láctea brasileira.