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Itambé – 60 anos cuidando do leite e de suas delícias

Luiz Souza, com colaboração do economista
Paulo do Carmo Martins, da Itambé

 

Itambé

A Itambé completou 60 anos. Desde maio de 1949, quando o primeiro carregamento de leite entrou pelos portões da Usina Central em Belo Horizonte, a Itambé tem sabido manter-se forte e firme na sua vocação original de abastecer o mercado consumidor, com uma extensa linha de produtos, várias fábricas, distribuição nacional e forte exportadora. Cooperativa na sua essência e empresa orientada para o mercado na sua ação, a Itambé representa hoje o modelo de cooperativa central que deu certo, com gestão moderna, visão de mercado e transparência. Processando anualmente 1,23 bilhão de litros de leite em 5 unidades fabris, a Itambé é a maior cooperativa central de laticínios, formada por 31 cooperativas singulares e reunindo cerca de 8,5 mil produtores rurais associados.

Pujança mineira e brasileira

A Itambé processa cerca de 1,23 bilhão de litros de leite por ano ou cerca de 3 milhões de litros por dia. Possui um portfólio de 140 produtos distribuídos em 11 linhas de produtos lácteos e 01 linha de ração animal. As linhas de produtos lácteos são leite em pó, leite condensado, creme de leite, doce de leite, iogurte, petit suisse, manteiga, requeijão, pasteurizados, leite uht e leite flavorizado.

A Itambé tem cinco unidades fabris, localizadas nos municípios de Pará de Minas, Sete lagoas, Guanhães, Uberlândia, em Minas Gerais, e uma fábrica em Goiânia. A Itambé possui 3.300 colaboradores.

Produtos Itambé

O negócio da Itambé é agregar valor ao leite que é produzido pelo seu cooperado. Para criar facilidades de atendimento aos cooperados no interior, a Itambé tem uma rede de armazéns, que disponibiliza mais de 5 mil itens de insumos usados na atividade leiteira e nas propriedades em geral. A Itambé também tem uma fábrica de produção de rações. Cerca de 90% do faturamento da empresa vem dos produtos lácteos, enquanto 10% vem dos armazéns e das rações. São cerca de 8,5 mil produtores de leite, com uma diferença importante em relação a outros laticínios. Como é uma cooperativa, o produtor que é fornecedor da Itambé é também o dono da empresa. Os produtores de leite estão localizados em Minas Gerais, Goiás e São Paulo, com a entrada de uma nova cooperativa, a conhecida Coonai de Ribeirão Preto.

Cooperativismo sólido

A Itambé é uma cooperativa central, formada por 31 cooperativas singulares. É a maior cooperativa do setor lácteo nacional e a terceira empresa no mercado brasileiro em termos de captação de leite.

A cooperativa central é resultante da reunião de cooperativas singulares, ou seja, cooperativas menores. O cooperado se filia a uma cooperativa singular e a cooperativa singular se filia a uma cooperativa central.

As vantagens do modelo cooperativista é que é a única forma de um pequeno produtor se tornar dono do negócio. O cooperativismo é feito na base da solidariedade, fazendo com que produtores frágeis se tornem fortes e competitivos. A desvantagem é a dificuldade de captar dinheiro a baixo custo, pois a legislação brasileira proíbe que a cooperativa lance títulos como debêntures, por exemplo.

A Itambé é uma cooperativa e cultiva a solidariedade. Mas, antes de ser uma cooperativa ela é uma Empresa. Sabe que somente consegue sobreviver no longo prazo se buscar permanentemente a eficácia. A Itambé tem um modelo de gestão próprio que considera um planejamento estratégico claro e factível, com foco definido e que respeita a cultura organizacional da empresa e que estimula o desenvolvimento das pessoas. Busca a adoção de tecnologias modernas e escala produtiva e trabalha claramente com metas estabelecidas para todas as instâncias da empresa.

Fábrica de Goiânia
Fábrica de Goiânia

Na Itambé o papel da Cooperativa Central é captar o leite, transformá-lo em diferentes derivados e distribuí-los para o Brasil e o mundo. O papel da cooperativa singular é prestar serviços ao produtor cooperado, como assistência técnica, venda de insumos, por exemplo, além de interferir diretamente na administração da Cooperativa Central, por meio de assembléias que reúnem todos os presidentes de cooperativas, ou nas reuniões mensais do Conselho de Administração, além de escolher a Diretoria da Cooperativa Central.

Um pouco da história

Contar a história da Itambé é contar um pouco da história do Brasil, nestes sessenta anos mais dinâmicos de toda a história de nosso país. Surgida em 1949 em Belo Horizonte, no início da industrialização brasileira, fruto da urbanização intensa que ocorreu, a Itambé gradativamente foi se embrenhando pelo interior. De empresa regional, tornou-se nacional. De país tradicional em importação, o Brasil passou a exportador de leite. De um país com escassez de alimentos, transformou-se em país da abundância e do agronegócio. A Itambé viu tudo isso acontecer e participou de tudo isso, ajudando a escrever essa história.

A CCPR/Itambé não é a maior Cooperativa de leite brasileira por acaso. Seu sucesso é fruto da crença de que era possível construir uma alternativa para os produtores de leite, em geral pobres, sem poder de barganha, sem informações de mercado, e que merecem a oportunidade de produzir e comercializar o seu produto de modo competitivo e solidário.

O marco zero da CCPR/Itambé é em Belo Horizonte, onde hoje se localiza o seu Escritório Central, na Rua Itambé. Ali funcionou a primeira usina de processamento de leite, denominada Usina Central. Sua localização era estratégica para os tempos de Brasil ainda carente de estradas, pois estava muito próxima da linha férrea, por onde chegavam os latões de leite do interior do Estado.

História

Há 60 anos existia uma empresa estatal do Governo de Minas que tinha o propósito de abastecer a jovem capital Belo Horizonte, então com 51 anos. Como a cidade crescia a uma velocidade espantosa, havia falta de leite constantemente. O governo de Minas percebeu que precisava entregar essa usina aos produtores e lançou o desafio a um grupo de líderes. Foi assim que começou a Itambé.

Outros tempos aqueles. Os carreteiros da CCPR/Itambé tinham as chaves das padarias e, todas as noites, envolvidos pela escuridão e o silêncio da madrugada, entravam, colocavam o leite nas geladeiras, pegavam o dinheiro em uma caixinha, fechavam a porta e iam embora. Naquela época, o leite chegava à mesa do consumidor em garrafas de vidro, o que tornava o processo de distribuição muito oneroso. As garrafas, distribuídas nas primeiras horas do dia, eram recolhidas à tarde. Portanto, havia o custo de distribuir e recolher as garrafas, todos os dias. Somem-se a isso as perdas com as garrafas que quebravam e, ainda, o custo de lavá-las, com dispêndio elevado de energia, já que eram higienizadas por meio de vapor.

Quem criou a comercialização de leite em sacos plásticos foi a Itambé. Quando isso aconteceu, foi uma revolução, pois reduziu o custo de embalagem sensivelmente. Ao baratear o preço do produto final, possibilitou que faixas de menor poder aquisitivo consumissem leite. Também foi pioneira em comercialização de leite em pó em sache no nordeste, uma região com pouca disponibilidade de leite e distante das regiões produtoras. Há toda uma geração que cresceu consumindo Itambé, que é uma marca sólida, de qualidade, com reputação.

Programas de qualidade e responsabilidade social

Ainda em 1992 a Itambé criou seu programa de Qualidade junto aos produtores. Em 1997 a mudança na forma de coleta acabou com os tradicionais latões de leite. Hoje o leite que entra nas fábricas passa por rígido controle de qualidade. O leite do produtor passa por teste ainda na fazenda, quando é recolhido. Se não estiver bom, nem é recolhido. Se estiver bom, é recolhida a amostra e enviada para dois laboratórios, um oficial e outro da empresa, que foi construído para fazer análises mais apuradas.

Na parte da indústria, a Itambé tem um programa audacioso. É o QSMA – que é o gerenciamento da Qualidade, da Segurança e do Meio Ambiente, que foi desenvolvido com o objetivo de integrar as ferramentas de gestão disponíveis no mercado, como a ISO 9001, para Gestão do Sistema de Qualidade e Gestão Ambiental 14000 e a Norma para Gestão da Saúde e Segurança do Trabalho, que é a OHSAS 18000. Numa primeira etapa foi aplicada nas plantas industriais e já foram colhidos alguns resultados, como redução no consumo de água em 17% e de 13% no consumo de energia. Atingiu mais de 1100 dias de trabalho sem acidentes com afastamento, fato inédito na operação da empresa.

A principal ação de responsabilidade social da Itambé é feita com os seus cooperados e isso não é pouca coisa. Afinal, os grandes laticínios priorizam os grandes produtores na coleta de leite.Três em cada cinco cooperados da Itambé produzem até 200 litros de leite por dia. São produtores familiares que têm no leite em geral a sua única fonte de renda. Além disso, a Itambé gera emprego no interior, em municípios que têm poucas alternativas de geração de emprego e renda. A empresa apoia também campanhas de entidades e governos, como a Fundação Abrinq e a Prefeitura de Belo Horizonte.

Presidente da Itambé
Atual presidente da Itambé:
Jacques Gontijo

Mercados e investimentos

O carro chefe da empresa é o leite em pó, seguido de leite condensado.

A Itambé atua fortemente nas principais categorias de lácteos, com exceção de leite UHT, cuja participação de mercado é pequena.

Detém a terceira posição em termos de “market share” nacional, liderando o mercado de sachet integral, a segunda marca mais consumida em termos de leite em pó em lata, tanto no integral quanto no desnatado. É vicelíder em vendas de leite condensado em lata e creme de leite. Os principais produtos exportados são leite em pó e leite condensado.

O faturamento em 2008 foi de R$ 2,04 bilhões, com crescimento de 15% em relação a 2007.

A Itambé tem Centros de Distribuição em Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Pernambuco e Bahia. Também trabalha com operadores logísticos em Alagoas, Piauí, Maranhão, Pará, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atingindo cerca de 30 mil clientes. As vendas para o exterior atingiram 62 países em 2008.

Na Itambé tem sido priorizado dois tipos de investimentos. O primeiro é em tecnologia de informação, estando no seleto grupo de empresas que mantém cópia de todos os processos de informática em tempo real, fora das estruturas da Itambé. Isso faz parte de um Plano de Continuidade de Negócios que prevê o que fazer caso sinistros ocorram na empresa, em diferentes níveis. O outro investimento importante é na tecnologia de processamento, o que corresponde a cerca de R$ 60 milhões/ano.

A Itambé busca preservar a imagem que o consumidor já tem de sua marca. Um produto brasileiro, que oferece ao consumidor alimento seguro, de qualidade e produzido de modo a respeitar o meio ambiente.