| Indústrias de laticínios recorrem a versões mais econômicas
e compactas de máquinas e equipamentos para aumentar
a eficiência e reduzir seus custos operacionais. |
Nos últimos dez anos, produzir
iogurtes com polpas
de frutas em bandejas plásticas
com seis potes era um privilégio
reservado às maiores indústrias
de laticínios atuantes no mercado
brasileiro. A partir de meados de 98,
com o surgimento de uma máquina menor e mais barata para produzir
esse tipo de embalagem termoformada,
os laticinistas de pequeno e
médio portes acabaram com a hegemonia
das gigantes do setor. E
desde então, passaram a fabricar e
a comercializar variedades do produto
com a mesma versão de embalagem
e a um custo muito menor
que os concorrentes nacionais por,
ao distribuí-lo em escala regional,
não necessitarem de transporte refrigerado. |
Para fugir da concorrência e
diferenciar seus produtos dos fabricados
pelos pequenos e médios
laticínios, Danone, Nestlé e Batavo,
entre outras potências em lácteos, começaram no final dos anos 90 a
reformular a embalagem dos iogurtes
que produzem, envasando-os
nas do tipo com “Décor”, as bandejas
com rótulo na lateral. Mas, como
as embalagens em potes, foi outra
novidade que detiveram a exclusividade
temporariamente. |
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Em 2006, com o lançamento
de uma nova máquina de menor
porte para os pequenos e médios
laticínios, empresas como o Piá e
Flamboyant começaram a disponibilizar
seus
iogurtes nesta
versão de embalagem
que,
antes do Brasil,
já estava presente
em outros
países da
América Latina,
como na Argentina,
no Chile e
na Colômbia.
A partir daí, a
maioria dos laticínios
regionais
ingressantes na
categoria adotou
esse tipo
de embalagem
que, na opinião
dos especialistas,
tem um
maior apelo visual e destaca mais
o produto no ponto-de-venda, ao
possibilitar que os fabricantes utilizem
as áreas lateral e superior dela
para fazer propaganda.
“Ela é top de linha em iogurte.
E vai começar a se espalhar entre
os laticínios como se espalhou a
bandeja”, prevê Luiz Belloli Neto,
presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para a
Indústria Alimentícia (CSMIAFRI),
da Associação Brasileira da Indústria
de Máquinas e Equipamentos
(Abimaq), e diretor da Dinieper, que nacionalizou a fabricação desses
maquinários e possibilitou diminuir
a distância tecnológica que
separa as grandes indústrias de laticínios
das pequenas e médias.
Transferência tecnológica
Em 1970, a Dinieper começou
a projetar e fazer a parte ferramental
da máquina termoformadora para
embalagem plástica do tipo formfill-
seal - que forma a embalagem,
envasa o produto, sela com as datas
de fabricação e validade e corta individualmente
ou grupada em bandejas
de dois a oito potes, como os
iogurtes com polpas de frutas. E em
78 conseguiu construir totalmente
o primeiro protótipo dela que hoje vende para os grandes laticínios e é
mais robusto que o modelo que lançaram
20 anos depois, em 98, para
atender às necessidades dos pequenos
e médios laticinistas.
Já entre 84 a 91, a empresa celebrou
um acordo de transferência
tecnológica com as duas melhores
fabricantes de máquinas termoformadoras
com sistema de “Décor”,
da França, que lhe possibilitou ter
acesso a todos os desenhos e à tecnologia
de fabricação da máquina,
cujo projeto é de 1958. A partir de
86, começaram a exportá-la para
países América Latina e no final dos
anos 90 para os maiores laticínios
no Brasil. E ao aprimorá-la ao longo
desses anos, conseguiu desenvolver
uma versão menor direcionada aos
laticínios pequenos e médios, mas
com um expressivo volume de produção
de lácteos no País.
“Agora, os laticínios menores
também têm acesso a essa tecnologia,
e hoje eles já estão no mesmo
nível de embalagem que os grandes.
Os que já têm duas máquinas
termoformadoras compram a terceira
com “Décor”, como a Piá, no
Rio Grande do Sul, e o Flamboyant”,
conta Belloli, que está entregando
mais uma máquina com a tecnologia
para um pequeno laticínio no
Pará e negociando com outro laticínios
em Minas Gerais interessado
em adquiri-la.
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Luiz Belloli Neto, diretor superintendente
comercial da Dinieper
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Com quase a totalidade dos
componentes produzidos nacionalmente
e apresentando inovações
incrementais no projeto original, a
tecnologia utilizada na máquina não
pode ser patenteada porque já caiu
em domínio público. O que fez com
que a empresa enfrentasse um problema
comum em desenvolvimentos
que não possuem mecanismos de
proteção da propriedade intelectual.
“Um ex-funcionário roubou os
desenhos da máquina e está fazendo
e vendendo ela no mercado. A
qualidade não tem nada a ver com aque fazemos. Ele não tem tecnologia
para fazer uma evolução nela, além
de não
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prestar assistência técnica
que é fundamental para uma indústria
de laticínios que, ao produzir 20 mil litros de iogurte e a
máquina pára, não dá pra
ela perder essa produção.
Mas ele nos incomoda no mercado”, diz Belloli. |
P&D
Para evitar problemas
semelhantes, a mineira
Injesul optou por
patentear o tanque de resfriamento
de leite popular com todo o corpo
externo em material plástico e até
40% mais barato que um produzido
com aço inox, que lançou na 36a.
Exposição de Máquinas, Equipamentos
e Insumos para a Indústria
Laticinista (Expomaq), em Juiz de Fora, Minas Gerais (leia reportagem
nesta edição). |
Linha integrada de envase iLine da Tetra Pak
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Resultado de uma parceria que
a empresa iniciou há dois anos com
uma reconhecida instituição de pesquisa
agropecuária brasileira em um
projeto para o desenvolvimento de
soluções tecnológicas para os pequenos
produtores de leite, de acordo
com o diretor comercial da empresa,
Ruy Bacha, até então o produto
era inédito no mundo, constando
nos depósitos de patentes
nacionais e internacionais
apenas
uma versão construída
com fibra de vidro.
E, para desenvolvê-lo,
tiveram que dominar
tecnologias adquiridas
em diferentes
áreas de atuação da
empresa. |
“Nós temos um
histórico com plástico,
mas também produzimos
latão, que
é um produto em
fim de carreira nos
laticínios, porque
encarece e demanda
mais mão-de-obra na
produção, e precisávamos
encontrar um
substituto tecnológico para ele. Por
outro lado, também temos muita
experiência com inox. Tínhamos
todas essas tecnologias disponíveis.
Era necessário apenas consolidálas”,
afirma Bacha, contando que
tiveram que montar máquinas para
fabricação do inox utilizado nos
componentes do equipamento.
A empresa investiu quase R$
1 milhão nos últimos três anos em
treinamento de pessoal nas áreas de
refrigeração e eletricidade e aquisição
dos maquinários e moldes para abricação do equipamento que está
sendo testado e validado pela instituição
de pesquisa com quem celebraram
a parceria. E |
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| tem a expectativa
de vender em um ano entre
mil a mil e duzentos unidades dele, que estão produzindo atualmente
90 unidades por mês, e dois mil a
dois mil quinhentos em três anos,
para atender aos diversos pedidos que
estão recebendo de
todas as regiões do
País. |
“Estamos credenciando
algumas
regiões, porque também
precisamos ter
pontos de assistência
técnica do equipamento.
E ele está
despertando muito
interesse dos pequenos
produtores
de leite porque foge
do convencional,
diminui os custos e aumenta a eficiência
deles”, avalia Bacha,
repetindo o mesmo
lema também imposto pelas grandes indústrias de laticínios
aos fabricantes de máquinas
e equipamentos.
Exigências
“A coisa mais importante exigida
para nós hoje é reduzir os custos
operacionais”, corrobora Paulo
Nigro, presidente da Tetra Pak, que
desenvolveu uma nova geração de
linhas de envase integradas que
permitem às indústrias alimentícias
e de bebidas aumentarem suas capacidades
e reduzirem seus custos
operacionais entre 5% a 40%.
Lançada mundialmente no
início de junho, de acordo com a
empresa, a tecnologia, denominada
iLine, eleva a integração de linhas e
a automação a um novo nível, graças
a um novo sistema de gerenciamento
de informação e controle do
processo nomeado Line Controller
30 (LC30).
Segundo a empresa, que é o
primeiro fabricante de linhas de
envase de embalagens cartonadas a
empregar um gerenciamento de linha
desse tipo, o equipamento age
como um “executivo chefe” da linha,
detectando e se comunicando com
os componentes dela da mesma forma
como um computador lida com
os periféricos. Ele supervisiona a seqüência
de operação de cada máquina
na linha, controla a velocidade da
esteira e dita as regras para que o
equipamento possa operar, que são
transmitidas na forma de receitas de
operação de produção que um operador
por implementar online. |

Luciana de Paula Galvão, Gerente de
Marketing, Sig Combibloc
. |
“Nem tudo o que fazemos é
bem sucedido. Mas, ao invés de
fazer mudanças incrementais nos
nossos equipamentos, decidimos
dar um salto audacioso para um
nível mais alto de integração e automação
de sistema, que leva a
custos operacionais mais baixos. E conseguimos obter um custo baixo
em investimentos em maquinários”,
analisa Nigro.
Integrando a verba de 300 milhões
de euros que a empresa destina
anualmente para pesquisa e
desenvolvimento, de acordo com
Nigro, a tecnologia foi utilizada inicialmente
pela holandesa Refresco
Menken Drinks, uma das maiores
produtoras de sucos de frutas na
Europa. No Brasil, |
segundo Nigro, já há uma indústria alinhada para receber
a tecnologia que não permitiu
mencionar seu nome. E ela também
já é utilizada nos EUA e na Ásia,
onde a Sig Combibloc estreou na
indústria chinesa Lácteos Mongólia
Mengniu sua mais recente inovação,
a CFA 724.
Velocidade
Um sistema de envase asséptico
de alta velocidade, de acordo
com a empresa, tal como a CFA 124,
instalada na Friesland Foods Foremost,
na Tailândia, a máquina tem
capacidade para trabalhar com velocidades
de 24 mil embalagens de
125 ml a 350 ml por hora. E também
foi desenvolvida para atender
às necessidades das indústrias de alimentos e bebidas de maximizar
suas capacidades e eficiências.
“Estas máquinas são fundamentais
para as indústrias que trabalham
em mercados que movimentam
altos volumes de vendas,
mas que também são altamente
competitivos. E, apesar de suas
altíssimas velocidades, os equipamentos
continuam ocupando o
mesmo espaço no chão da fábrica
e utilizando o mesmo contingente
de mão-de-obra. Ou seja, aumentamos
a capacidade de produção
sem criar a necessidade de ampliação
das plantas de nossos clientes”,
explica a gerente de marketing da
empresa para a América do Sul, Luciana
Galvão.
No final do ano passado a
empresa instalou na fábrica da Cooperativa
Central Mineira de Laticínios
(Cemil), em Patos de Minas,
no estado de Minas Gerais, as duas
primeiras máquinas de envase CFA
812 do mundo, que têm capacidade
para produzir doze mil embalagens
de um litro por hora. As máquinas
substituíram quatro equipamentos
convencionais e, segundo a empresa,
integram uma nova plataforma tecnológica que garante os melhores
índices de eficiência do mercado,
superiores a 90%, com índices
de perdas inferiores a 1%, que são
fundamentais para empresas que
trabalham no competitivo mercado
de leite UHT.
Tendências
Outra tecnologia desenvolvida
pela empresa é um sistema de
sleeves que possibilita envasar produtos
com pedaços em embalagens
cartonadas assépticas, como um
leite com grãos de cereais desenvolvido
pela chinesa Inner Mongólia
Yili Industrial Group (leia nota
nesta edição).
Pelo sistema, cada sleeve é
moldado individualmente, esterilizado
e então envasado na máquina.
O topo da embalagem cartonada é
selado por meio de ultra-som acima
do nível de envase, e não através do
produto, apenas depois de envasar
a bebida, cujo desafio tecnológico
é misturar os cereais ao leite UHT
sem que eles se sedimentem no fundo da embalagem, nem mudem
de consistência em contato com
o líquido. A saída encontrada pela
equipe de pesquisa e desenvolvimento
da empresa foi usar novos estabilizantes, que tornaram possível
as partículas flutuarem dentro
do leite.
Com um similar nacional, o leite
com aveia, desenvolvido pela paranaense
Líder Alimentos, proprietária
dos laticínios Boa Nata e São
Gabriel, o produto representa uma
tendência de desenvolvimento de
novos produtos lácteos que, além
de ingredientes alimentícios inovadores,
requerem o aprimoramento
de máquinas e equipamentos para
envasá-los.
“Nós temos que acompanhar
a tecnologia sempre, porque
vão aparecendo novos sistemas
de aquecimento de placas, ferramentas
de corte e dosadores
para variados produtos, como
pedaços de frutas, por exemplo.
Agora, a coqueluche é fazer embalagens
plásticas com barreira,
que não é muito fácil cortá-la. É
toda uma evolução que precisamos
ir atrás”, diz o presidente
da Câmara Setorial de Máquinas
e Equipamentos para a Indústria
Alimentícia (CSMIAFRI), da Associação
Brasileira da Indústria
de Máquinas e Equipamentos
(Abimaq), Luiz Belolli Neto, que
afirma que as máquinas e equipamentos
para laticínios desenvolvidos
no Brasil hoje não deixam
nada a desejar para as fabricadas
na Europa e nos EUA.
“Nossa tecnologia está muito
igual e equiparada a da Europa e
EUA. Não fica nada a dever e a qualidade
é muito boa”, avalia Belloli, que
revela que o mercado de áquinas e
equipamentos para as indústrias de
laticínios está muito aquecido desde
o ano passado, e tende a se manter
na mesma temperatura este ano.
Se depender de tecnologias de
máquinas e equipamentos, a fervura
do leite está garantida.
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