Há 80 anos, integrantes de
uma família libanesa imigraram
para o Brasil e se
estabeleceram em uma fazenda no
interior de São Paulo. Utilizando seu talento nato para o comércio, adquiriram
máquinas agrícolas e iniciaram um trabalho de beneficiamento
e venda de café, arroz e algodão na
região, dando origem à M. Cassab.
Atuante em diversos setores,
incluindo os de tecnologia animal,
química fina e industrial, entre muitos
outros, há cerca de 20 anos a
empresa ingressou no segmento de
nutrição humana, comercializando
vitaminas e minerais na forma pura.
E, se antecipando à atual tendência
no mercado de ingredientes alimentícios,
tempos depois passou a
produzir e fornecer esses compostos
na forma de misturas personalizadas
para as indústrias de alimentos
e bebidas, tornando-se um dos
maiores fabricantes desse tipo de
produto de alto valor agregado no
mercado brasileiro.
“Talvez foi essa antecipação de
tendência que possibilitou o crescimento
dessa unidade de negócios
dentro do grupo e nos deu a força
que temos nesse mercado. De lá
para cá a empresa cresceu muito, e
hoje dividimos o mercado praticamente
com mais dois concorrentes
e em pé de igualdade”, atesta o gerente
da unidade de negócios Nutrição
Humana da empresa, Gustavo
Levy, que, além das pré-misturas de
vitaminas e minerais, distribui uma
série de outros ingredientes e aditivos
alimentícios no mercado interno
e exporta alguns volumes para
países da América Latina, como a
Bolívia, o Paraguai e o Peru.
O departamento possui cerca
de 10% de participação nos negócios
da companhia. De 2006 para
2007, cresceu em torno de 35%,
com 40% de participação das vitaminas
e minerais, e tem a expectativa
de obter um incremento de 40% em
seu faturamento este ano.
De acordo com Levy, parte
desse crescimento se deve ao do
próprio mercado alimentício brasileiro
como um todo, como pôde ser
verificado no ano passado. E a outra
parte, à estratégia da empresa de
oferecer soluções prontas e personalizadas
de ingredientes e aditivos
direcionadas para a atual tendência
da alimentação saudável, em que
os alimentos e bebidas fortificados
com vitaminas e minerais ocupam
um papel de destaque. “Esse mercado
tem crescido muito e rapidamente.
E estamos aproveitando
essa oportunidade para manter ou
aumentar nossa participação nele”,
afirma Levy.
Vantagens
Com uma fábrica em São Paulo
- cuja capacidade de produção
mais que dobrou em 2005, quando
construíram um novo prédio -, para
Levy, o fato da empresa ter sua unidade
fabril e laboratório de análise
instalados no Brasil lhe proporciona
grandes vantagens competitivas em
relação aos seus concorrentes.
“Nós conseguimos dar respostas
mais rápidas aos nossos clientes
por não dependermos de uma matriz
e laboratório que muitas vezes
estão fora do País. O fato de termos
um laboratório no Brasil, ao lado da
fábrica e das equipes técnica e comercial,
nos proporciona uma maior agilidade na avaliação da eficiência
dos nossos premixes de vitaminas e
minerais nos produtos dos nossos
clientes”, analisa o executivo.
Em 2006, ganharam mais um
diferencial competitivo em relação
aos seus concorrentes com a abertura
de um escritório na China, que
lhes permite ter acesso a novos fornecedores
e informações de mercado,
se antecipando às ocorrências
que podem ter reflexos nos negócios
da empresa, como a falta de
disponibilidade no início deste ano
de uma série de produtos fabricados
no país asiático, como a vitamina C,
e a alta dos preços das comodities
agrícolas e das que dependem da
cadeia de petróleo no mercado internacional.
“Nós utilizamos o escritório
na China justamente para nos antecipar
a esses tipos de problemas e
para ter uma relação mais próxima
com nossos fornecedores, para que
eles nos vejam mais como parceiros.
Com isso, nós também conseguimos
nos momentos de crise ter
uma maior disponibilidade desses
produtos – tanto as matérias-primas
para os nossos premixes, como produtos
de distribuição -, além de obtermos
melhores condições de preços
e anteciparmos importações em
um momento de alta de preços”,
conta Levy.
P&D
Segundo o gerente, a empresa
também mantém contato com
fornecedores de todo o mundo,
buscando obter antecipadamente o
acesso às indústrias que desenvolvem
ingredientes inovadores com
diferencial de saúde e que podem
ser agregados às pré-misturas de
vitaminas e minerais, tais como os
ômegas 3 e 6 e o licopeno, além de
tentarem ter a exclusividade de uso
desses produtos por um determinado
período de tempo. O que, na
avaliação dele, não é uma tarefa tão
fácil.
“Geralmente essas tecnologias
acabam se difundindo rapidamente.
Os ácidos graxos ômega 3 são um
exemplo: já há algumas empresas
no mundo com capacidade de produzir
este ingrediente e dificilmente
um dos fabricantes de premixes conseguiria
ter a exclusividade de utilização
desta matéria-prima nos premixes
de vitaminas no País. Assim,
as empresas acabam lançando-o no
mercado quase que simultaneamente”,
revela.
Algumas matérias-primas com
as quais e empresa trabalha, como
o bicabornato de sódio e o ácido cítrico, já são produzidas no País por
indústrias de ingredientes como a
americana Cargill. Mas a maioria ainda
tem a produção concentrada no
exterior em países como a própria
China - para aonde boa parte das
indústrias de ingredientes migrou
suas fábricas de produtos mais comoditizados
-, e na Europa e EUA,
onde são fabricados os com tecnologia
de ponta.
E por atuar além de no segmento
de nutrição humana, no de
cosméticos e fármacos, é comum
compartilhar alguns produtos,
como a vitamina C, com todas essas
áreas e com a mesma especificação.
“Nós compartilhamos muitas vezes
uma série de produtos e até alguns
clientes que atuam tanto na área de
alimentos, quanto na de cosméticos
e fármacos. E há grandes sinergias
nessas áreas”, avalia Levy, ressaltando
que por isso mesmo o departamento
de nutrição humana está
agrupado na unidade de negócio
Química Fina da empresa, que engloba
além de alimentos, fármacos,
cosméticos e domisanitários.
Planos
Os próximos investimentos
da empresa estão mais direcionados
para a distribuição de novos
ingredientes e aditivos no
mercado brasileiro que,
segundo Levy, não serão
comercializados necessariamente
na forma de premixes.
“Nós vemos que a
vantagem de fornecer outros
aditivos, como edulcorantes
e estabilizantes,
na forma de premixes nem
sempre é comparável à
vantagem da solução que
ofertamos com os mixes
de vitaminas e minerais.
Decidimos pelo fornecimento
das matérias-primas
puras ou na forma
de premixes por
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meio de
uma avaliação conjunta
com o cliente, buscando a
melhor solução para ele”,
diz Levy, dando o exemplo do mercado
de bebidas energéticas, em
que algumas empresas preferem
comprar matérias-primas eparadamente.
E outras optam por uma solução
única, na forma de premix.
Embora sejam mais aplicados
em produtos com foco infantil,
como achocolatados, biscoitos, farinhas
lácteas, refrescos e leite em
pó, entre outros, segundo Levy, os
premixes de vitaminas e minerais
tiveram um aumento de demanda
em outras categorias de alimentos
e bebidas que exploram o apelo
de saúde, como barras de cereais
e as próprias bebidas energéticas
E o maior desafio tecnológico para
aplicá-los é em produtos que necessitam
passar por algum tipo de
tratamento térmico, como o processo
de secagem a que é submetido
o leite em pó, ou com sabores
e cores muito delicados. O que, de
acordo com Levy, é uma barreira
perfeitamente transponível. |
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