Mercado

Tirolez lança novos produtos

E inicia negociação com o mercado externo

Rita Ramos

 

Sala de Fabricação
Laticínios Tirolez - Sala de Fabricação –
Tiros – MG – 2009

A produção é de mais de 32 tipos diferentes de queijos, entre lights, frescos, defumados, especiais, fatiados e institucionais, além de fondue e requeijões. O nome, Tirolez, deriva de Tirol, região histórica da parte ocidental da Europa Central, entre a Áustria e a Itália, famosa por seus queijos. A empresa iniciou suas operações há pouco mais de 20 anos e vem ganhando destaque no mercado brasileiro de produtores de queijos para a indústria e consumidores domésticos. Agora, o alvo é o setor internacional, com a perspectiva de exportação, somente esse ano, de mais de 700 toneladas de queijos para países do Oriente Médio e África.

Quem conduz os negócios de exportação é Paulo Hegg, presença constante nas feiras e exposições internacionais, principalmente na Europa, cujas feiras de Anuga, na Alemanha, e de SIAL, na França, são os principais eventos internacionais do segmento de alimentação no mundo. As missões diplomáticas comerciais, que o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, junto ao Ministério da Agricultura, organizam por meio da Agência de Promoção às Exportações – Apex, também contam com a presença do homem-forte da Tirolez. “Vemos o mercado internacional como uma oportunidade para empresas brasileiras que oferecem queijos padronizados, cuja qualidade permita shelf life compatível”, conta Hegg.

Além do mercado internacional, a Tirolez também participa do setor institucional, oferecendo seus queijos em apresentações especiais para grandes indústrias de alimentos e redes de fast-food, restaurantes, hotéis etc. Segundo Hegg, o mercado institucional brasileiro é muito grande, especialmente no estado de São Paulo e exige de seus participantes flexibilidade operacional, rigoroso controle de qualidade, formulações específicas e entregas imediatas. “Ainda assim, os volumes elevados de compra compensam toda essa adaptação”, explica.

Os queijos prato e mussarela, grandes filões do segmento industrial, representam a base operacional da empresa, ainda que sua faixa de preço, que deveria se encaixar na dos queijos commodities, seja mais elevada. “Isso acontece em razão de sua elevada qualidade e da alta tecnologia empregada em sua produção”, explica Disney Criscione, diretor de marketing da Tirolez. Apesar de sua pequena E inicia negociação com o mercado externo Tirolez lança novos produtos Rita Ramos Fotos: divulgação 13 participação nos mercados específicos, eles ainda representam um percentual importante das vendas da empresa. “Eles estão presentes nas melhores padarias e nos melhores supermercados, sempre como opções de maior valor agregado”, acrescenta.

Com essa amplitude de negócios, a Tirolez tem conseguido firmar-se como marca e importante opção de compra, oferecendo produtos de elevada qualidade. Isso tudo, graças ao fato de a localização de suas fábricas ser próxima a bacias leiteiras que oferecem leite de qualidade, como Minas Gerais, e adequadas à produção de queijos de massa aberta – com olhaduras. Por esse motivo, os preços praticados são, geralmente, superiores aos de seus principais concorrentes, fato que contribui para o desenvolvimento de toda a estratégia de marketing e vendas da empresa, que tem seu maior foco nos consumidores de maior poder aquisitivo das grandes capitais do país.

“Nosso objetivo é aumentar o posicionamento da marca junto a consumidores das classes A e B”, diz Criscione. Em contrapartida, esse direcionamento provoca uma carência no abastecimento de produtos de boa qualidade, mas voltados para as demais classes, de menor poder de compra, como a C e D. Essa é a razão pela qual a empresa tem buscado expandir sua atuação, com a oferta de produtos frescos e processados para uso culinário e diário, como requeijões e cremes de leite.

1ª Fábrica Tirolez
Laticínios Tirolez – 1ª fábrica – Tiros – MG – 1980

Fábrica Tirolez 2009
Laticínios Tirolez – Tiros – MG – 2009

Atualmente a Tirolez produz e comercializa mais de 40 diferentes itens e administra quatro fábricas, localizadas em regiões dotadas das melhores condições climáticas e de pastagens naturais, com capacidade para processar 360 mil litros de leite integral por dia. Segundo Criscione, o pasto e o clima são fatores determinantes na produção de um leite saboroso e rico em fermentos propiônicos naturais, indispensáveis para a produção de queijos com olhaduras e aromas agradáveis, além dos ótimos sabores. “Por isso nossos queijos especiais como o Estepe, Gouda, Edam, Gruyère, Provolone e Reino são os melhores do país, com grande aceitação e preferência dos exigentes consumidores brasileiros”, comenta Cícero Hegg, diretor da Tirolez e também da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo – Abiq.

Inovação e qualidade

O domínio na fabricação de queijos como mussarela, prato e provolone levou a Tirolez a apostar em receitas mais ousadas e em produtos mais sofisticados. Há 10 anos, a empresa vem engrossando o mercado nacional com a produção de queijos finos, especiais e tradicionais, como o minas frescal, terceiro mais consumido no país, além dos tipos Edam, Gruyère, Gouda e Reino.

A qualidade sempre foi um dos maiores focos da empresa, tanto que ela foi a primeira no país a ter um técnico laticinista formado pelo Instituto de Laticínios Candido Tostes - ILCT, em sua equipe. O trabalho era acompanhar o processamento e certificar a qualidade dos produtos, fato raro nas indústrias quando esse procedimento foi adotado ela Tirolez.

O investimento em inovação é outra marca registrada. O que acabou fazendo com que a empresa saísse na frente de suas concorrente e fosse a primeira a produzir queijos “Light” para o setor nacional, tendo como ponto de partida o queijo Prato Light. O lançamento do queijo especial fracionado também foi uma surpresa para o mercado. Um moderno sistema de acondicionamento à vácuo, patenteado como Skin Pack, respeita as olhaduras dos queijos, preservando seu sabor e aromas originais por até 90 dias.

A tecnologia foi desenvolvido em parceria com a Sealed- Air, empresa americana especializada na fabricação de embalagens especiais. De acordo com o gerente de marketing da empresa, Disney Criscione, a “pele” plástica é sobreposta a vácuo, o que mantém a textura e o aspecto de como se o queijo houvesse sido cortado no momento da retirada da embalagem. Queijos como o Gruyère, Emental, Gouda e Gorgonzola, já estão disponíveis nessas versões fracionadas.

Outra novidade, lançada esse ano, é o queijo de coalho no espeto. Original do Nordeste, ele é feito a partir de uma massa crua e fresca, que não leva fermento. A acidez é pontuada e o processo envolve a utilização de uma moderna tecnologia, o que possibilita que o produto mantenha íntegra sua estrutura, mesmo quando submetido ao calor da chapa ou da grelha. “Seu desempenho não reside apenas em seu sabor e textura, mas também em seu comportamento quando submetido à chapa quente ou à grelha”, acrescenta Criscione. Segundo ele, o segredo da fabricação é a produção de um queijo que tem a característica de um brownie, isto é, ele carameliza sem desestruturar-se, o que o mantém preso ao palito e impede que o queijo caia por entre as grelhas da churrasqueira, ou fique nelas grudado.

Os produtos não são lançados ao mercado sem antes passarem por duas técnicas de degustação, uma comparada e outra comentada. Os processos são realizados periodicamente e auxiliam os técnicos e profissionais responsáveis pela produção interna a aperfeiçoar a fabricação dos queijos. A degustação comentada tem o objetivo de passar informações sobre os produtos, modos de produção, características e usos.

A idéia é fazer com que também o público consumidor seja um grande conhecedor de queijos. Já a degustação comparada, é realizada pelo método “blinded”, no qual há a comparação de diversos tipos de queijos das marcas concorrentes juntamente com os produtos da empresa.

Uma equipe especializada reúne-se para degustar os produtos e avaliá-los sem conhecimento prévio das marcas apresentadas. Com esta ação é possível analisar o sabor, textura e cor dos queijos depois de abertos para consumo.

Empresa em expansão

A Tirolez emprega, hoje, aproximadamente 300 funcionários diretos, recebendo leite produzido por 1,4 mil produtores de leite das regiões de Minas e São Paulo, colaborando decisivamente para o desenvolvimento e progresso do mercado laticinista brasileiro. Todas dispõem de bacias leiteiras que oferecem leite integral de vaca, granelizado e de qualidade rigorosamente controlada.

Em 2008, a empresa apresentou um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Para 2009, é esperado um percentual próximo ou superior ao obtido anteriormente. Para isso, a Tirolez investiu pesado nas áreas de comercialização, propaganda e marketing. De acordo com a empresa, a área comercial foi aumentada para atender à demanda de pedidos e novos produtos e embalagens foram lançados. Segundo Criscione, essas medidas fazem parte da estratégia de diversificação, inovação e vendas.

Além disso, houve um aumento substancial dos investimentos nas fábricas. Isso tudo, segundo Criscione, visa contribuir para o crescimento e desenvolvimento de novos produtos e a solidificação da marca no mercado. “Baseamos nossas ações mercadológicas em reuniões de planejamento estratégico, formulado sob coordenação de renomado consultor. Estamos aptos a atuar em todo o território nacional, com presença qualitativa e quantitativa que por certo vai promover um crescimento sustentado e progressivo", ratifica.