Projeções de um El Niño de forte intensidade para os próximos meses reforçam a atenção ao manejo dos animais.
SÃO PAULO, BRASIL (24 de setembro de 2026) – Os períodos de calor intenso exigem atenção ao manejo de vacas leiteiras. Temperaturas mais elevadas podem impedir que o animal dissipe adequadamente o calor corporal, o que compromete o desempenho zootécnico, os índices reprodutivos e a produção de leite. Entre os principais sinais estão a respiração mais rápida, a busca frequente por sombra e mudanças no comportamento dos animais.
O cenário climático previsto para o fim do ano reforça a atenção ao tema. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 75% de probabilidade de que o El Niño alcance, entre outubro e dezembro, uma intensidade maior do que a observada nos eventos registrados desde 1950. No Brasil, as previsões também apontam para a ocorrência de episódios de calor intenso em diferentes regiões durante os próximos meses.
O aumento na intensidade do calor durante eventos climáticos extremos, desencadeia o estado térmico de alerta, indicando que as vacas estão gastando mais tempo na tentativa de perder calor do que se alimentando. Ou seja, os animais tendem a ficar mais tempo em pé, e isso reduz a ingestão de matéria seca e o fluxo sanguíneo destinado ao úbere. De acordo com Hilton do Carmo Diniz Neto, médico-veterinário e gerente de produtos – Bovinos de Leite da Cargill Saúde e Nutrição Animal, o problema pode se agravar em situações de superlotação, com espaço insuficiente em cochos e bebedouros ou quando os equipamentos de resfriamento não recebem a manutenção adequada.
“Quando não há um controle eficiente, os prejuízos podem ser expressivos. No caso da produção de leite, por exemplo, o estresse causado pelo calor pode reduzir a produção em até 20%”, afirma o médico-veterinário.
Segundo o especialista, as instalações têm papel importante na dissipação do calor. “Boa circulação de ar, áreas protegidas da radiação solar e sistemas de ventilação e aspersão em condições adequadas de uso ajudam a proporcionar maior conforto ao rebanho. Em propriedades com animais a pasto, a disponibilidade de sombra deve ser considerada principalmente nos horários de maior exposição ao sol”, enfatiza.
O acesso à água fresca e limpa também deve ser garantido ao longo do dia, especialmente nos períodos mais quentes. A quantidade e a distribuição dos bebedouros também precisam ser avaliadas para assegurar que todos os animais consigam se hidratar sem competição excessiva.
Manejo nutricional ajuda a reduzir os impactos
Durante os períodos mais quentes, as vacas tendem a reduzir o consumo de matéria seca, o que pode comprometer a ingestão de energia e nutrientes e afetar o desempenho do rebanho. “É importante trabalhar para preservar o consumo e manter a dieta nutricionalmente equilibrada, já que a redução na ingestão pode comprometer o desempenho das vacas. O horário de fornecimento também pode ser ajustado para os períodos mais frescos do dia, quando a tendência é de maior consumo”, explica Neto.
A qualidade e a disponibilidade do alimento também devem ser acompanhadas. Em dias quentes, a dieta pode sofrer alterações quando fica exposta por períodos prolongados, o que reforça a necessidade de evitar sobras excessivas e garantir que o alimento permaneça em boas condições de consumo. “A adoção de cuidados nutricionais adequados durante os períodos de calor ajuda a preservar o consumo e o desempenho das vacas, reduzindo os impactos do estresse térmico sobre o rebanho”, conclui o especialista.
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